<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605</id><updated>2012-01-23T16:26:01.580Z</updated><title type='text'>Two Faces</title><subtitle type='html'>Um blog-desafio, uma partida de ping pong literária.
</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>12</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-4635613069982926103</id><published>2007-11-11T03:18:00.000Z</published><updated>2007-11-28T00:36:33.377Z</updated><title type='text'>Capítulo 11 - A gota de água</title><content type='html'>Foi mais do que podia aguentar. Todo o dia tinha sido um tormento, um vai e vem de itinerários e emoções: exaltações, surpresas desagradáveis e eventos que não compreendia, mas agora que estava em casa e via o pai e a mãe aflitos, à volta do relógio e com o telemóvel na mão, foi mais do que podia aguentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a fúria e toda a raiva desapareceram, dando lugar ao vazio que a tomou de assalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David tinha desaparecido. Tinha-se ido embora, ao que parecia, tinha-a abandonado sem uma palavra de consideração, uma explicação. Agora, só lhe restava uma imensa tristeza que se abatia sobre ela como uma onda. Não era só o desaforo e a decepção. Finalmente tomava consciência, ao ver os pais e não o noivo como de costume em sua casa, que o seu &lt;em&gt;amor&lt;/em&gt;, o seu &lt;em&gt;companheiro&lt;/em&gt;, a deixara. A vida que construíra e planeara de forma intensa ao longo dos últimos 3 meses fora inesperada e brutalmente suprimida, sem qualquer aviso prévio. Naquele momento, não era a traição o que mais lhe doía: acima de tudo sentia-se como se tivesse sido esvaziada de conteúdo e não sabia o que fazer à sua vida, porque já não era capaz de a imaginar sem ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a chorar baixinho um choro sem lágrimas. Sentia-se tão triste! O choro sem lágrimas desembocou num soluçar que desaguou num pranto sonoro, muito aflitivo para os pais que o presenciavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou-se escorregar para o chão onde ficou sentada a carpir a sua dor, enquanto recusava o ombro do pai e o colo da mãe, pedindo só que a deixassem. Aos poucos foi cedendo aos braços da mãe, que mandou sair o pai, e aí ficou até saciar a tristeza e achar que não conseguia chorar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, levantou-se e foi lavar a cara. Quando voltou, disse meiga mas firmemente aos pais que estava bem e agradecia muito o seu apoio, mas que agora queria estar sozinha. Sem lhes deixar qualquer alternativa, prometeu que telefonaria de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles saíram e Clara explicou a si mesma que o David era um monte de merda, que não a merecia e ela sem sombra de dúvida era capaz de arranjar outro bem melhor que ele e sem grande esforço, até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conseguia, no entanto, deixar de pensar como era curiosa a expressão “partir o coração de alguém”, porque era exactamente assim que se sentia ela com aquela dor tão aguda e localizada no peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou até adormecer de madrugada, no sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A vida é feita de pequenos momentos, muitos desses passados a escrever algo!", diria alguém certa vez... Passaram a correr estes dois anos, com outras escritas, embora sempre com uma palavra amiga a estes nossos amigos nas longas conversas que temos. Sim, já era tempo de deixarmos que as vidas de Clara, David, Bettencourt e companhia limitada seguissem o seu rumo. Your turn!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-4635613069982926103?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/4635613069982926103/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=4635613069982926103' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/4635613069982926103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/4635613069982926103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2007/11/gota-de-gua.html' title='Capítulo 11 - A gota de água'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-113097362579848397</id><published>2005-11-02T22:34:00.000Z</published><updated>2005-11-02T23:20:25.853Z</updated><title type='text'>Capitulo 10 - De regresso a casa</title><content type='html'>A Clara voava pelo trânsito, direitinha a casa! Haviam respostas ali para serem encontradas, ela sabia disso... No meio do metodicismo de David, haveria concerteza uma razão para o relógio de pulso, para o despertador, e mais ainda para aquele maldito relógio de parede!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mente dela chegavam ideias nubladas de momentos, de rituais de David, de pequeninas coisas que nunca tinha entendido perfeitamente e que no inebriar de sentimentos turbulentos acabavam por estar um pouco à parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apercebia-se agora da mania de David de nunca se mostrar na rua em qualquer manifestação de carinho, de nunca lhe ter apresentado os pais, de fugir de reuniões sociais muitas vezes sugeridas com os seus presupostos colegas de trabalho.... de se encontrar sempre do lado oposto da camara...&lt;br /&gt;A cada pensamente, cada facto, parecia mais claro que nada daquilo era um acidente, surgia a ideia definida de um plano meticulosamente escrito, de algo insidioso, negro, e acima de tudo com um fim bem definido... Só precisava de achar esse fim!&lt;br /&gt;Surgia aquela raiva que se propaga pelo ar como o cheiro a uma trevoada... quando o ar fica abafado, e quente e a tempestade desaba em cima das pessoas desprevenidas. Como ela tinha sido desprevenida! Estava alí parada na rua, à mercê dos elementos, que lhe tinham enviado tantos sinais! Era a estupidez da sua conduta que a aborrecia agora, a facilidade com que se entregava, a velocidade com que os seus braços encontraram os do David e se deixou conduzir para aquele final...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o final seria apenas quando ela quisesse! Perto da tempestade, ela escolhia enfrentar os elementos, apanhar com a chuva... se ficara alí até agora, não se afastaria sem saber o porquê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou directamente na garagem e correu escadas acima para o apartamento, mas com a mão nas chaves, acalmou-se subitamente... Nada de mais erros! Seria exactamente como nos filmes: com calma, prestar atenção a tudo... Havia falhas em todas as pessoas e no David também, concerteza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou calmamente a chave na porta que havia deixado aberta?! Sim, havia deixado aberta, mas estava fechada agora.... seria algum vizinho? Por outro lado, esquecer coincidências e pequenos pormenores tinha-a colocado ali, com a mão naquela chave, junto a uma porta que não devia estar fechada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodou a chave sem fazer barulho e sem medo e mesmo ao abrir a porta, de relance viu o seu pai a afastar-se do relógio aberto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;************************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram uns tempos daqueles! daqueles em que parecemos esquecer-nos de tudo o que não sejam objectivos ilusórios e ficamos inebriados por novas realidades.... Mas o bom filho a casa torna... Afinal, a vida e feita de pequenos momentos, muitos desses passados a escrever algo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-113097362579848397?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/113097362579848397/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=113097362579848397' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/113097362579848397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/113097362579848397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2005/11/capitulo-10-de-regresso-casa.html' title='Capitulo 10 - De regresso a casa'/><author><name>spinus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04175534198087935850</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2130/493/1600/ac1.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-111254460848144576</id><published>2005-04-03T17:09:00.000+01:00</published><updated>2005-04-03T17:13:06.546+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 9 - o pesadelo</title><content type='html'>Acordou num salto, ofegante a meio da noite com uma dor imensa no peito. Sentia-se constrangida, apertada… Como quem quer gritar mas não pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quanto tempo era assim? Não se lembrava já e agora sentia que sempre tinha sido compelida a calar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava habituada a sufocar o choro, a silenciar os gritos. “O passado está enterrado” e deve permanecer enterrado, era o que se dizia a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia, ninguém. Também ninguém acreditaria nela. Era um segredo demasiado terrível e demasiado sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitou-se de lado, com os olhos bem abertos, e fingiu que dormia para não perturbar o sono de mais ninguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-111254460848144576?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/111254460848144576/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=111254460848144576' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/111254460848144576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/111254460848144576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2005/04/captulo-9-o-pesadelo.html' title='Capítulo 9 - o pesadelo'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-110865150078158230</id><published>2005-02-17T14:42:00.000Z</published><updated>2005-02-17T14:52:53.633Z</updated><title type='text'>Capítulo 8 - 2º interregno: a encruzilhada</title><content type='html'>&lt;p&gt;Sentou-se em frente ao computador que era novo no fim-de-semana que era curto. Releu tudo o que tinha sido escrito e teve pena que o projecto estivesse parado. Às vezes uma fraqueza estraga tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinham 6 personagens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Clara&lt;/strong&gt;, uma romântica inabalável, mas fútil e egocêntrica que tinha sido abandonada na Conservatória no dia do casamento;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Ana Bettencourt&lt;/strong&gt;, forte e determinada mas frustrada e a viver na sombra de Clara;&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Gonçalo&lt;/strong&gt;, irmão de Clara acerca do qual não se sabe muito, apenas que é irascível e super protector da mana&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;Os pais de Clara&lt;/strong&gt;, conservadores. A mãe é uma doméstica frustrada e socialite, e o pai é um “Hot shot” talvez advogado ou arquitecto.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;David Brown,&lt;/strong&gt; detective privado, o noivo desertor é um Don Juan, do tipo paradigmático, que usa esse factor a favor do seu ofício.&lt;br /&gt;&lt;li&gt;&lt;strong&gt;“Contacto”,&lt;/strong&gt; a cliente de David.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tinham uma série de questões pendentes:&lt;br /&gt;- Porque é que alguém contrataria David Brown?&lt;br /&gt;- Porque é que o relógio de sala da casa de Clara fora o único que não fora adiantado?&lt;br /&gt;- Porque adiantou David os relógios, no dia do casamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a história estivesse parada, ela já desconfiava exactamente o que é que se passava naquele cambalacho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo...&lt;br /&gt;Porque é que um tipo chamado David Brown trabalharia em Portugal?...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu então colocar mais um tijolo na fundação do edifício, ciente que essa atitude poderia custar-lhe o empenho do seu amigo… Respirou fundo, esperando não ser mal interpretada como estando a “chutar” o colaborador que tanto prezava e procurou abrir uma saída naquele beco. &lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/li&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-110865150078158230?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/110865150078158230/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=110865150078158230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/110865150078158230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/110865150078158230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2005/02/captulo-8-2-interregno-encruzilhada.html' title='Capítulo 8 - 2º interregno: a encruzilhada'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109785593288307320</id><published>2004-10-15T16:57:00.000+01:00</published><updated>2004-10-15T16:58:52.883+01:00</updated><title type='text'>A Bettencourt</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.megagaleria.com/pictures/Pic_1591_1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109785593288307320?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109785593288307320/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109785593288307320' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109785593288307320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109785593288307320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/10/bettencourt.html' title='A Bettencourt'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109426349253123860</id><published>2004-09-25T15:03:00.000+01:00</published><updated>2004-09-25T15:36:15.376+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 7 - Contacto</title><content type='html'>O sonho era recorrente: uma mulher roliça já de uma certa idade dizia com um ar muito sério por entre os seus caracóis loiros oxigenados:&lt;br /&gt;- Ela é sogra da minha filha, mas eu venho aqui com ela porque a gente até ter a terra sobre os nossos olhinhos não sabe ao que chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordava invariavelmente estremunhado e perplexo quando tinha este sonho. A mulher estava sentada numa cadeira que parecia ser de uma sala de espera e falava muito compenetradamente com ele... Mas ele não se lembrava nunca de ter visto aquela mulher senão naqueles sonhos bizarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Irra! Qualquer dia, juro que vou ao psicólogo saber porque raio é que eu sonho com uma gorda loira! Ainda se fosse uma gaja boa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a fazer-se tarde, e à medida que o tempo passava, crescia a irritação de David. Achava aquela situação ridícula além do aceitável. Nunca, em tantos anos de detective se vira numa alhada semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se para sair da Estação e foi quando pedia um táxi que se deparou com o seu contacto, escondido por detrás de um grande jornal, como se se tratasse de um qualquer espião hollywoodesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigiu-se a ela sem rodeios, num gesto de clara retaliação, sabendo o quão desconcertada ficaria. O assunto de que tratava era delicado, tal como as notícias que obtivera, pelo que a sua consciência profissional não lhe permitia divulgar imediatamente o resultado da sua investigação, mas pegou-lhe pelo braço com brusquidão e arrastou-a para o táxi mais próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem grandes cerimónias pregou-lhe um sermão agastado sobre ética contratual e de como aquela não era forma de se tratar fosse quem fosse.&lt;br /&gt;Os seus olhinhos quase negros olhavam-no como se não tivesse mais de doze anos e houvesse inocentemente cometido uma tropelia idiota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que criatura deliciosa!” pensou para si mesmo, enquanto lhe dizia de novo as horas que havia aguardado sem notícias suas na estação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “contacto” era na realidade uma mulher intrigante. Cabelos encaracolados e negros, olhos da mesma cor, corpo fino e cara de menina. Dizia que nunca tinha contratado um detective privado antes e que se tinha comportado conforme o que achava que seria correcto enquanto pedia desculpas atabalhoadamente. Era inacreditavelmente nervosa e verborreica. Não se calara um momento desde que entraram-no táxi e David terminou o discurso, e embora fosse ligeiramente irritante, era impossível ficar aborrecido com ela, dada a sua fragilidade patente e a forma como se dava humildemente como culpada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tudo bem. Uma vez que já perdi o meu avião, não há necessidade para pressas. Vamos ao meu escritório para eu lhe explicar tudo direitinho e lhe entregar as papeladas em condições.”&lt;br /&gt;“Eu cubro todos os seus prejuízos...”&lt;br /&gt;David sorriu como quem ouve uma coisa óbvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pararam em frente a um edifício azul com bom aspecto. David deu prioridade à senhora e pagou o táxi. Acima de tudo era um cavalheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dava voltas tentando justificar o injustificável:&lt;br /&gt;"Surgiram outras prioridades, tive de fazer outras coisas..."&lt;br /&gt;Um certo ar de tristeza e desilusão assomou no seu rosto.&lt;br /&gt;"So sorry..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109426349253123860?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109426349253123860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109426349253123860' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109426349253123860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109426349253123860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/09/captulo-7-contacto.html' title='Capítulo 7 - Contacto'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109391975474745159</id><published>2004-08-31T03:31:00.000+01:00</published><updated>2004-08-31T03:35:54.746+01:00</updated><title type='text'>capítulo 6 - Interlúdio</title><content type='html'>- Um café e um copo com gelo, por favor.&lt;br /&gt;- Para mim um descafeinado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peguei em mais um cigarro e calmamente acendi-o entre a ponta dos dedos. A primeira passa é sempre a melhor, pelo que fico sempre calado alguns segundos depois , no momento de prazer que aquele vicío doava. Por vezes fico a olhar para o cigarro aceso, a ver se o mato antes da próxima passa, antes do vício chegar.&lt;br /&gt;Ela, pelo seu lado, dava azo aos seus próprios vícios: observar. Não me sentia minimamente incomodado, era bom saber que não me julgava, e que apenas não conseguia sacudir o que tinha aprendido no curso.&lt;br /&gt;Por vezes, os cafés eram passados entre galhofa e piadas estúpidas servidas por mim e respostas agudar e divertivas por ela. Outras vezes, era um conversa séria e satizfatória, aquelas que existem mesmo para o fundo da alma, para aclamar a sua fome de ser contrariada, de ser debatida.&lt;br /&gt;Este era um dos segundos casos e nem precisei que o café chegasse para o saber.O fumo do cigarro surgia em espirais que se confundiam passados breves segundos, mas era o suficiente para capturarem imagens e pensamentos. Era um daqueles prazeres que não é necessário fumar para se saber, e a cara dela revelava isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez estivesse a pensar no próximo capítulo, talvez o fumo do cigarro se misturasse com o fumo do cigarro de Clara, ou com o nevoeiro que poderia surgir na noite de David, ou até mesmo com o metal retorcido, prova de um acidente de talvez uma personagem nova da qual ainda nenhum leitor tinha ouvido falar, nem mesmo eu.&lt;br /&gt;O empregado voltava, clamamente, para depositar a ordem. Também ele tinha os seus próprios vícios e hábitos, que nós já havíamos detectado: o vício de se enganar sempre para quem era o café, o que tornava o trocar de chávenas um hábito trivial e ao mesmo tempo engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa surgia naturalmente, pelo meio de uns goles de café e de alguns rituais que ambos tínhamos enraizados.&lt;br /&gt;Ela perguntou, escutou, analizou, sugeriu, solucionou, enfim: preocupou-se; e não necessáriamente por esta ordem. A vida tem surpresas: quem diria que tantos anos após nos termos conhecido e depois de tantos anos sem nos vermos poderíamos ser assim amigos?Sim, o facto de se preocupar, honestamente, era o melhor de tudo. Por vezes, em situações específicas, a procura de respostas com alguma ajuda é mais importante que as respostas propriamente ditas.&lt;br /&gt;O relógio de parede parecia ser um relógio de água e seria concerteza, bem mais adequado. Os ponteiros pareciam deixar cair gotas de preto, que demoravam a formar-se e depois, esborratavam ao de leve os números, apenas para estes reaparecerem novos atrás de si. Este processo demorava algumas palavras, algumas reacções e muito pensamento. Deixemos de contar em termos de tempo, tudo durou dois ou três cigarros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como estava a história? bem, creio eu, ainda não sei bem o que vai acontecer a nenhum deles; não era bem isto que imaginava.Falavamos agora do vício em comum: escrever, e da solução apra essa vício: entregarmo-nos a um conto a dois.Era engraçado chegar aos capítulos novos e ver tudo mudado, a nossa história de pernas para o ar, e ter de repensar tudo de novo. Era, no mínimo, desafiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou a promessa de mais um capítulo para breve, mas desta vez, ela que me perdoe, mas passo a jogada, não por falta de cartas, apenas porque me parece existirem agradecimentos mais importantes a fazer agora.&lt;br /&gt; Pela atitude, sorriso, preocupação e enfim, amizade, o meu muito reconhecido obrigado.&lt;br /&gt; E como os ponteiros não param e o futuro reserva algo de muito bom, siga a história.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109391975474745159?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109391975474745159/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109391975474745159' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109391975474745159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109391975474745159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/08/captulo-6-interldio.html' title='capítulo 6 - Interlúdio'/><author><name>spinus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04175534198087935850</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2130/493/1600/ac1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109350567521142126</id><published>2004-08-26T08:32:00.000+01:00</published><updated>2004-08-26T08:40:28.176+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 5 - 007, Licença para esperar</title><content type='html'>De dentro da sua mala retirou o frasco de comprimidos. Tinha há anos aderido às medicinas alternativas, em grande medida pela maior quantidade de controlo que tinha sobre a sua própria medicação do que na medicina tradicional em que o médico quase sempre decidia autocraticamente medicamentos e dosagens sem explicações de maior.&lt;br /&gt;Tomou duas pílulas de valeriana e respirou fundo, pelo diafragma como lhe ensinara a psicóloga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, tinha tudo sobre controlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou-se. Agora que pensava bem sobre o assunto, todo aquele sistema de entrega lhe parecia um perfeito disparate, fruto de uma mente sedenta de aventura e obviamente vítima de excessos televisivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha-lhe feito a vontade porque lhe era perfeitamente indiferente como entregava a informação e recebia os seus honorários, desde que os recebesse, mas agora arrependia-se... Se não tivesse embarcado naquele espírito 007 talvez agora não estivesse na situação em que estava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ridículo. Estava agora na estação, sem saber muito bem o que fazer porque o “seu contacto”, como insistira que lhe chamasse, se tinha deixado levar pela sua fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francamente... Que ridículo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, admitia, o seu modus operandi podia ter semelhanças com o mítico James Bond. Adorava conquistar mulheres e perdia com alguma facilidade o interesse pelas mesmas depois de as conseguir, sendo quase o paradigma daquilo que muitos chamam “Donjuanismo”, uma espécie de doença alusiva ao comportamento do famoso Don Juan de Marco. Quando era mais novo tinha mesmo chegado a procurar ajuda profissional para o seu problema, mas hoje em dia procurava usá-lo em seu proveito, integrando-o na sua profissão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profissão... Negócio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, agora tinha um problema sério entre mãos. Tinha a informação e faltava-lhe uma parte do pagamento e executar a entrega. Nem sequer tinha muito bem a certeza daquilo que devia fazer... Ia-se embora? Mandava tudo às urtigas e ia para o Brasil com a sua já avultada fortuna pessoal? E se fosse atrás “do seu contacto”?... Na verdade, apetecia-lhe dizer umas coisinhas pouco simpáticas depois de ter sido deixado especado na estação. Que lata!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;David era um rapaz metódico, organizado e ponderado e tinha grande orgulho nessa sua faceta.. Optou por esperar ali por mais notícias. Decidiria o que fazer depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repreendendo-o com o olhar, disse-lhe frontalmente que ele tinha escolhido o caminho mais fácil.&lt;br /&gt;Ele sorriu maliciosamente.&lt;br /&gt;“Estás apenas a provar um pouco do teu próprio veneno...” respondeu trocista.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109350567521142126?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109350567521142126/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109350567521142126' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109350567521142126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109350567521142126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/08/captulo-5-007-licena-para-esperar.html' title='Capítulo 5 - 007, Licença para esperar'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109310105031930625</id><published>2004-08-21T16:09:00.000+01:00</published><updated>2004-08-21T16:10:50.320+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 4 - Geometria e o erro</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;Acordava lentamente depois de um sono refrescante.&lt;br /&gt;O abanar rítmico pedia-lhe que voltasse a dormir, mas o corpo estava satisfeito, por agora.&lt;br /&gt;Não costumava dormir nos comboios, mas esta noite tinha sido muito mais trabalhosa do que esperava... Dar sumiço a todas as partes da vida que tinha criado era sempre um processo complicado. Não queria ficar com nenhum registo e nenhum contacto, mas não podia simplesmente encher o carro com objectos novos e ir deixá-los à lixeira mais próxima. Isso chamaria demasiada atenção e como tinha aprendido, o passar despercebido era a alma do negócio.&lt;br /&gt;Assim era mais extenuante: um vaivém de uma noite apenas em que deixava alguns objectos num canto escuro da cidade, outros numa instituição, outros vendia-os, etc. O último dia de um trabalho era um bailado que tinha dominado há já algum tempo, após uma anterior experiência desastrosa.&lt;br /&gt;Mas tinha aprendido com os seus erros, e sim, agora fazia-o muito melhor...&lt;br /&gt;Era preciso uma visão científica para observar alguém, escolher a melhor forma de aproximação, conhecer os pontos da sua vida, identificar o alvo, e durante todo este processo matemático, não dar a mínima suspeita e não deixar nada que conduzisse até ele.&lt;br /&gt;Dentro da sua mente, relia estes últimos meses, tirando satisfação de cada momento, de cada pormenor da história que tinha criado, da aura de mistério que o rodeava e que tinha funcionado tão bem com a Clara.&lt;br /&gt;Foi um toque de génio ter colocado a Betencour (era sempre assim que tratava a Ana, por adorar  conotação Real do seu nome de família) a aproximá-lo da Clara, ainda que ela nem se tivesse apercebido. Para além do mais, tinha sido divertido optar pela Betencour primeiro. Fora uma agradável surpresa a forma como se tinha entregue nos seus braços, a paixão que demonstrava naquelas noites, tão diferente do que fazia crer quando tinha arranjado que se conhecessem.&lt;br /&gt;Ela era insaciável, apaixonada, bela... nunca chegaria a perceber porque vivia na sombra da Clara, que tinha, essa sim, sido uma desilusão. A Clara, com aquele aspecto tão sensual, não tinha conseguido passar de um trabalho.&lt;br /&gt;Nunca julgar um livro pela capa. Irónico!&lt;br /&gt;Do banco em frente o passageiro observou aquele homem a abrir um enorme sorriso e largar uma gargalhada satisfeita. Obviamente que alguém reagia bem melhor ao atraso que ele próprio.&lt;br /&gt;O comboio entrava finalmente em Lisboa, apareciam os caixotes da periferia, distinguiam-se as roupas nas varandas, como mosaicos desalinhados.&lt;br /&gt;Coisa feia – pensava ele – com o seu espírito matemático. Irregular, desleixado, a noção daquele caos agredia-o, a ele, o geómetra das emoções humanas.&lt;br /&gt;Divergiu para o rumo do comboio, incomodado.&lt;br /&gt;Levava-o até à última fase do trabalho: dar a mala, na estação, como combinado ao seu contacto e depois partir para umas férias bem merecidas, longe dali.&lt;br /&gt;Não se atrevia a ver o bilhete de avião para o Brasil, que ardia no seu bolso do casaco, com medo que alguém identifica-se o seu destino. Em vez disso, contentava-se a sonhar com aquelas férias.&lt;br /&gt;Preencheu assim a ultima parte da viagem, entre praias paradisíacas e refrescos...&lt;br /&gt;Saiu calmamente do comboio, para a estação cheia de gente.&lt;br /&gt;De um relance procurou todos os sinais: um casal de namorados num banco, enrolados num beijo apaixonado que se iria quebrar daí a pouco quando o comboio aparecesse; um grupo a discutir pormenores das férias que passaram; homens a caminhar tristemente para um comboio que os ia levar a casa, sempre o mesmo comboio, como se estivessem parados num calendário que teimava em não rodar as suas páginas.&lt;br /&gt;A estação estava normal, na sua preguiça normal, com as suas pessoas normais, rasgada, aqui e ali por traços de uma azafama efémera. Era apenas mais um dia naquela estação movimenta, ninguém sabia que ele estava ali, com o seu saco de viagem numa mão e a mala que tinha de trocar na outra. Numa mão a libertação, na outra a única coisa que o prendia ali.&lt;br /&gt;O seu contacto não estava ali, ninguém lia “Le fígaro” enquanto espreitava ansiosamente por detrás de uns óculos escuros, com uma mala igual à sua na mão.&lt;br /&gt;Amadores!, pensava para si, aborrecido pela incoerência na equação que tinha traçado, e que com apenas um pequena colaboração daquele contacto levaria a um perfeito e preciso resultado final.&lt;br /&gt;No entanto, não era a única coisa errada ali... A pouco e pouco, os números pareciam mudar de aspecto e a equação tendia a desfazer-se num conjunto de incógnitas.&lt;br /&gt;As empregadas do seu comboio corriam para a limpeza, em contraste com as dos outros comboios que se arrastavam preguiçosamente. Um grupo impaciente de pessoas esperava para entrar e o grupo contrário que se opunha do lado do seu comboio corria dali para fora.&lt;br /&gt;Dois homens de fato de macaco aproximavam-se e ele captou a conversa:&lt;br /&gt;-         A merda da locomotiva tá a dar de si e nós é que nos fodemos a fazer horas extra!&lt;br /&gt;Olhou para o relógio e desfez o sorriso da cara, enquanto deixava cair o saco das férias: o comboio estava duas horas atrasado: o seu contacto já não estava ali!&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109310105031930625?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109310105031930625/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109310105031930625' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109310105031930625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109310105031930625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/08/captulo-4-geometria-e-o-erro.html' title='Capítulo 4 - Geometria e o erro'/><author><name>spinus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04175534198087935850</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2130/493/1600/ac1.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109201128242369928</id><published>2004-08-09T01:25:00.000+01:00</published><updated>2004-08-09T01:48:36.933+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 3 - As comadres</title><content type='html'>O que a cativara nele não foram os seus olhos verdes, nem o seu porte atlético que as amigas invejavam. Foram pequenas coisas, pequenos gestos insuspeitos de franqueza, frontalidade e humor, coisas que Ana preservava acima de tudo e que achava incompatíveis com a tendência irritante que alguns homens adquiriam com o passar do tempo de coleccionar mulheres, dar-lhes esperanças e depois abandoná-las.&lt;br /&gt;O que a aborrecia realmente não era ser usada fisicamente, uma vez que se ela consentisse e fosse bom para os dois, não via grande problema. A questão era ser usada como paliativo emocional, como prémio de consolação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana ficara sobretudo desapontada e chocada com o comportamento da amiga que se dizia tão sua amiga, “uma irmã”, e de repente se desatou a atirar ao seu interesse amoroso... E desiludida com o seu “querido”, que era tão maravilhoso, tão maravilhoso mas se tinha vendido por tuta e meia à sua melhor amiga além de se ter insinuado a mais duas ou três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Filhos da puta, os dois”, pensara entre a dor e a raiva, enquanto lambia as feridas de ter sido tão vilmente trocada e se tentava consolar.&lt;br /&gt;“Filhos da puta!, filhos da puta!, filhos da puta!”&lt;br /&gt;O que lhe custava sobretudo era a traição de Clara que ela sempre tinha ajudado, sempre tinha defendido... Em troco de literalmente nada ou quase nada porque Clara era um vortex emocional que tinha de sugar tudo para si mesma. Os problemas de Ana nunca eram realmente problemáticos, e as suas angústias nunca realmente importantes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é também que Ana morria de inveja de Clara em diferentes aspectos. Embora a achasse uma presumida, frustrada e fútil, a verdade é que esta tinha namorado mais, acabado o curso com melhores notas, tido todos os gajos e amigos que Ana ambicionara, era mais bonita que ela e agora ia casar-se com a pessoa que Ana quisera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana pensou sempre que aquilo não ia dar certo, e pode dizer-se mesmo que o desejou, tendo de alguma forma assim sido também corresponsável da tragédia.&lt;br /&gt;Clara era perita em acabar relacionamentos fantásticos pelas razões mais obtusas (chegou uma altura a acabar com um rapaz porque lhe descobriu uma pintas nos olhos e achou aquilo muito anormal: “os olhos são a parte mais importante para mim, simplesmente não conseguiria olhar para ele todos os dias assim.”)... E David, com aquele ar de carneiro mal morto, tinha a escola toda e gostava de espalhar charme onde quer que estivesse...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles tinham tudo para ser infelizes e acabar mal começassem.&lt;br /&gt;Então num gesto de vingança mesquinha, Ana decidiu juntá-los... Mas o tiro saiu-lhe pela culatra... Ou pelo menos era o que parecia até David a ter deixado pendurada na Conservatória do Registo Civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estava dividida entre a sanguinolenta sensação de vitória mesquinha e vingança e a compaixão e lealdade pela sua amiga... Ah, claro!: e a culpa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou outra vez ligar a Clara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que bela peça lhes tinha saído este David Brown...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***********************************************************************************&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado, ela disse-lhe amenamente:&lt;br /&gt;"Começo a achar que ele pode estar morto."&lt;br /&gt;A resposta dele foi um simples "hmmmmm" enigmático por detrás dos seus omnipresentes óculos de sol.&lt;br /&gt;"Seja como for, quem decide agora és tu..."&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109201128242369928?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109201128242369928/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109201128242369928' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109201128242369928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109201128242369928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/08/captulo-3-as-comadres.html' title='Capítulo 3 - As comadres'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109179200369271911</id><published>2004-08-06T12:32:00.000+01:00</published><updated>2004-08-09T02:26:09.843+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 2 - A dúvida</title><content type='html'>&lt;table id="HB_Mail_Container" height="100%" cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0" unselectable="on"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr height="100%" unselectable="on" width="100%"&gt;&lt;td id="HB_Focus_Element" valign="top" width="100%" background="" height="250" unselectable="off"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Um calafrio percorreu-lhe a espinha... A porta abria a luz para um quarto irreconhecível...&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foram segundos que se propagaram, pelo meio da surpresa tudo nela trabalhava mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Guardou em fotografia a ausência de tudo o que a luz tocava: nenhum casaco pendurado no cabide à direita da porta; mais à frente, a secretáriaevidenciava a falta dos seus livrinhos de apontamentos, do outro lado, nenhum dos cd´s e também o computador havia desaparecido. Ao fundo do quarto, bem iluminado pelo túnel de luz, o fato intacto em cima da cama impecávelmente feito.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Entrou a medo, apertando a chave do carro numa mão, pronta a usar esse último reduto e na outra tentava sentir o seu anel de comprometida. A dimensão desse objecto alterava-se, parecendo agora infinitamente pequeno.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;De nada adiantava chamar, apercebeu-se disso ao primeiro passo.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;A ausência de todos os objectos de David revelava ainda mais a sua presença: tudo, excepto o que era dele, estava exactamente no mesmo sítio, impecávelmente limpo, geometricamente colocado.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sempre se tinha admirado dessa característica do David, tão diferente da sua. Era metódico, orgaizado, conciso... tinha um espírito que estava sempre a programar, a fazer planos... Era, até certo ponto, manipulador. Costumava fitar aqueles olhos verdes, sem saber bem o que ele estava a pensar e ainda pior, o que ela devia pensar sobre isso. Aquela aura de mistério que tanto a tinha atraído, assustou-a pela primeira vez, naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Olhou para a cama onde repousava o fato, preparado para sair, impecávelmente passado para um encontro a que faltaria.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Parou mais uma eternidade, medida em alguns segundos; não, , não tinha medo da presença de alguém, mas sim da ausência e do que descobriria a partir desta.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Avançou, reparando agora melhor nos objectos que faltavam: os quadros, as pequenas coisas pessoais, ou melhor, impessoais que o David fazia caso de ter, aqui e ali.Deu uma volta rápida ao apartamento, detendo-se em momentos, locais, nas memórias que ainda ali estavam.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Tentava compreender o porquê.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Sim, era indubitável que ele tinha quebrado as promessas que tinham feito de braços nus, com os corpos ainda ofegantes, enrolados um no outro, naquelas alturas em que o cheiro dele penetrava no seu e que se tornava impossível de distinguir.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Estupidamente queria pagar-se da mesma moeda. Procurou na mesinha de cabeceira o seu maço de tabaco que havia deixado há tanto tempo.Foi com um sorriso que acendeu um cigarro, ao mesmo tempo que via os olhos reprovadores dele, naquela mesma cama, com a mão nas suas costas nuas... Nem se lembrava bem das palavras que ele tinha dito, mas agora sabia bem que a tinha convencido a parar, talvez na promessa de mais uns momentos de prazer.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Foi com a primeira passa que veio a primeira lágrima. Não parrou na face, não molhou apenas o canto do olho... Em vez disso percorreu-a rapidamente, rolando por um caminho que conhecia bem.&lt;br /&gt;"Sempre fui demasiado sentimental". Para bem e para o mal, claro. Ria a bom rir, mas também sabia bem chorar...&lt;br /&gt;Passou algum tempo, mais alguns momentos até que da gaveta ouviu o som abafado de um pequeno despertador de pulso. O David tinha o sono leve, quando tinha de acordar, mais uma vez, bem ao contrário do seu.&lt;br /&gt;Teria sido um erro do David ter deixado aquilo ali?&lt;br /&gt;Abriu a gaveta e olhou para ele... Os segundos seguiam-se um após outro, ao ritmo de uma batida do coração. Após uns minutos, os segundos estavam atrasados no relógio das batidas: eram agora duas por segundo, ao mesmo tempo que bem no fundo de si surgia uma dúvida: Porque é que os seus relógios estavam adiantados?&lt;br /&gt;Levantou-se com o relógio na mão, fechou a porta e saiu, mais uma vez com a chave do carro bem apertada na mão, em direcção a casa... &lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr unselectable="on" hb_tag="1"&gt;&lt;td style="FONT-SIZE: 1pt" height="1" unselectable="on"&gt;&lt;div id="hotbar_promo"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;blockquote id="994a9d24"&gt; &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109179200369271911?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109179200369271911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109179200369271911' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109179200369271911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109179200369271911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/08/captulo-2-dvida.html' title='Capítulo 2 - A dúvida'/><author><name>spinus</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04175534198087935850</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='31' src='http://photos1.blogger.com/blogger/2130/493/1600/ac1.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7798605.post-109118404920783844</id><published>2004-07-30T11:15:00.000+01:00</published><updated>2004-08-04T04:01:08.783+01:00</updated><title type='text'>Capítulo 1 - A boda</title><content type='html'>&lt;ul&gt;&lt;li&gt;O dia amanheceu claro e o despertar foi glorioso. Tudo parecia perfeito num dia que também se queria perfeito. Era o casamento de Clara, o final feliz que ela merecia, um sonho, um conto de fadas que agora se realizava. O David tinha aparecido na sua vida como um príncipe encantado, e tinha acontecido tudo tão depressa que três meses depois tinha o casamento marcado. Toda a família se tinha agradado dele, o que por si só consistia um feito digno do Guiness Book of Records: o seu pai era um paranóico de primeira classe que desconfiava de tudo e todos, a mãe era a típica "coruja" e achava que a sua menina era muito inocente e que todos os homens só se queriam aproveitar dela e mesmo o irmão, um diletante irresponsável, muito dado a sentimentalismos baratos e extremamente agarrado à irmã (o que justificava em parte andar sempre à procura de uma boa razão para dar uma surra aos "canalhas" que Clara namorava), se rendeu aos encantos do seu noivo. &lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espreguiçou-se bem e abriu a janela. Ia fazer como tinha visto num filme em que a protagonista abria a janela, respirava fundo o ar da manhã e fazia um discurso lindo de morrer sobre a sua vida e as mudanças esplendorosas que iam acontecer agora que era o ponto de viragem, mas o telefone tocou e Clara nem teve tempo de sentir o cheiro da manhã da baixa portuense. &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Estou sim?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Bom dia noivinha!!!" - respondeu do outro lado entusiasta a voz da sua melhor amiga, Ana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Olá madrinha, quer dizer, testemunha, que o casamento é no civil. Que tal estás?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Isso pergunto eu!" - respondeu a rir-se - "Liguei para saber como estavas... Tipo se já estavas acordada eheheheh" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Era um bocado demais, adormecer para o meu próprio casamento, não achas?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Estou a brincar, estou a brincar... Na verdade, não te zangues comigo que eu já sei que tiveste um trabalhão para convencer a tua mãe a não ir para aí de manhã... Mas, de certeza que queres ir sozinha para a Conservatória? Não preferes que eu vá ter contigo e ajudar-te agora de manhã?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Poça, Ana! Tu e a minha mãe, irra! A sério, muito obrigada, mas não quero. É pá... Desculpa lá estar-me a passar, mas quero mesmo estar sozinha, será que tem de ser tudo como manda a tradição?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Ok, ok, pronto... Não me mates já..." - e voltando a brincar - "Agora vê lá mas é se não te voltas a deitar eheheheheheh"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Não, não, vou-me vestir... E já não estou muito adiantada..." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Ok, vai lá... Beijinhos e até já, ó "noiva em fuga"... da família!!! eheheheheheh" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Beijo!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Olhou para o relógio. &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora estava realmente acordada e qual não foi o seu espanto ao ver que estava atrasada cerca de uma hora. Tomou o duche à pressa, bebeu uma chávena de leite frio, comeu uma torrada e vestiu-se para a grande ocasião. Tudo pronto, olhou satisfeita para o seu relógio de pulso outra vez e marcou um novo recorde: só se tinha demorado uma hora, metade do tempo programado para se arranjar: isto é que era rapidez!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fechou a janela, vestiu o casaco, pegou na maleta e, tal como na história da Cinderela, ouviram-se as badaladas do relógio de sala que a mãe tinha insistido que ela levasse para o apartamento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Espera aí...”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;O relógio estava programado para só tocar ao meio-dia, já que fazia uma tal barulheira de hora a hora como era suposto, teria sempre o senhorio à perna. Mas nesse caso... Olhou de novo para o relógio de pulso... Ui! Como era isto possível? O seu relógio de pulso e o seu telemóvel estavam adiantados uma hora! Caramba! Tanto trabalho e agora ia ter uma hora morta!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;“No problem. Aproveito Pego no carro e depois logo se vê... Como é que raio eu teria ficado com os relógios adiantados? Se calhar, foi o David ontem á noite, com medo que eu me atrasasse como de costume...”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não valia a pena insistir naquele assunto. Se tinha conseguido acordar sem despertador, antes mesmo de alguém telefonar, não ia ser nada de especial varrer um pensamento insignificante como aquele da mente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pegou nas chaves do carro e foi ver o mar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escusado será dizer que Clara era uma romântica arrebatada daquelas que choram sempre no fim de “E tudo o vento levou”, quando aquele irresistível Rett Butler deixa Scarlet O’Hara (sua ídola) e esta se ergue sozinha para um futuro incerto em que, com toda a certeza o reconquistará.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo passou depressa. Quando deu por si, já só tinha um quarto de hora para chegar ao Registo Civil e achou ir bem depressinha. Morria de pena por não se casar na Igreja, de branco, como toda a vida sonhara, montanhas de convidados, um véu de quatro metros e cinco damas de honor a entrar triunfalmente numa igreja decorada de flores cor de rosa, mas que fazer? O David insistia naquela coisa de “Eu sou ateu e não me obrigues”, por isso, desistiu embora tivesse no fundo, no fundo, uma pontinha de esperança de um dia vir a concretizar esse seu sonho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chegou ao Registo Civil atrasada como sempre, já lá estava o pai, a mãe, o irmão e a Ana, mas que faziam eles o quatro ali à porta com aquela cara de enterro? E onde é que estavam os convidados do David? É certo que ambos concordaram que seria uma cerimónia pequena e ele lhe tinha contado que não tinha família, mas alguém ele tinha que ter convidado, nem que fosse um freira do orfanato, alguém para ser sua testemunha...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Olá, então?, já cá estou, só estou dez minutos atrasada...”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Estás tu e está o teu paspalho.” – respondeu o irmão secamente. “Raios me partam se não é hoje que lhe vou às trombas!... Ai dele se se atrever a deixar-te aqui sozinha! Pego na caçadeira e ...”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Está calado, Gonçalo. Pára de dizer asneiras, está bem?” Interrompeu-o autoritariamente Ana. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Já sabes como é o teu irmão. Sempre cheio de coisas e mais coisas, mas é tudo fogo de palha. Alem disso, o David não te deixaria pendurada de pois de tudo o que passou para te fazer o pedido, não achas?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Realmente, não deve ter sido fácil convencer os violinistas a esperar a meia hora que eu me atrasei escondidos atrás da sebe do restaurante...” – disse Clara um pouco aliviada, num sorriso maroto, piscando o olho à sua amiga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passados vinte minutos de angústia e conversa de chacha com a Ana, em que o irmão permaneceu incrivelmente silencioso e os pais só falaram entre si, veio cá fora a juíza dizer que meia hora de tolerância era o máximo concedido pelo Registo e que tinha outros casamentos a realizar, “Lamento muito”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ana fincou as unhas no braço de Gonçalo para evitar que este começasse a disparatar, pondo a noiva mais nervosa ainda. A mãe não disse nada, mas os seus olhos rasos de água, bem abertos para que nem uma lágrima de raiva e decepção escapasse, mostrava bem o tipo de sentimentos que lhe iam na alma. Só o pai teve coragem de se chegar a ela e a abraçar, corado ao máximo numa expressão que não dava bem para perceber se de raiva, se de vergonha.&lt;br /&gt;Clara, essa, parecia não se ter apercebido da situação. Estava absolutamente apática. Não tinha reagido. Nem uma lágrima, nem um suspiro, nem nada. Libertou-se dos braços protectores do pai, virou costas e começou a andar em direcção ao carro. Enquanto tirava as chaves da carteira, uma lágrima escorreu-lhe pela face abaixo contra a sua vontade. Ligou o carro e os quatro piscas e foi de gás à tábua direitinha a casa do David.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tocou à campainha. Bateu à porta e ninguém respondeu. Chamou por ele e continuou sem resposta. Finalmente, antes de virar para o histerismo, girou a maçaneta da porta e... Surpresa! &lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7798605-109118404920783844?l=twofaces.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://twofaces.blogspot.com/feeds/109118404920783844/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7798605&amp;postID=109118404920783844' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109118404920783844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7798605/posts/default/109118404920783844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://twofaces.blogspot.com/2004/07/captulo-1-boda.html' title='Capítulo 1 - A boda'/><author><name>Helena Martins</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_aL8qfW7zxqk/TFFAiAlTRII/AAAAAAAAEKk/h96C-oItX84/S220/DSC04699-1.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
